Karlon junta-se a Razat em Tardigrado: “Vai marcar-nos para o resto da vida” Foi há quase um ano que Karlon e Razat meteram o rap português em sentido. “Fotocópia” foi o single de apresentação de Tardigrado, uma faixa que apelou ao bom senso musical numa altura em que a industria se vê rodeada de clones. “O tema foi feito mais numa de gozo, para a malta não ter que seguir só as tendências”, explica o rapper ao ReB. Tendências essas que nada têm a ver com o já gasto debate do boom bap versus trap. Tardigrado serve como prova de que os vários subgéneros da cultura urbana podem combinar na perfeição, bastando dois dedos de testa e a tal impressão de originalidade na abordagem a cada tema. “Eu gosto de trap”, garante Karlon, que relembrou ainda já ter recorrido ao estilo na mixtape Paranóia e que, em 2004, adivinhava o futuro som que viria a popularizar-se em Atlanta. “Nós pensámos no Tardigrado porque é uma espécie imortal”, explica o rapper sobre o título escolhido para o novo disco. “Passámos horas a falar e tivemos alguns encontros. De um modo natural, fomos desenvolvendo este trabalho, que vai marcar-nos para o resto da vida.” Razat fala-nos do modo intuitivo como a criatividade fluiu entre ambos: “Eu fui produzindo beats e fui enviando ao Karlon. Ele escreveu logo para os que curtiu. Foi muito fast, na verdade. Eu mandava-lhe três beats e ele aparecia no dia seguinte com duas letras.” O produtor, fundador da Crate Records, volta a vestir a bata e assume-se como um verdadeiro doutor na arte das batidas. Tardigrado não conhece barreiras e serve de palco para as mais variadas influências que pairam dentro do universo musical de Razat. Depois de produzir grande parte d’O Conto para L-ALI, assume, pela primeira vez, todos os instrumentais num disco a meias com um MC. Karlon submeteu-se ao tratamento digital e reinventou-se (novamente) para surgir mais fresco do que nunca sob a batuta do seu novo parceiro. Os artistas já tinham colaborado em “Xinti Fly” e “Mundu Manipuladu”, temas que fizeram parte do alinhamento de Tinha K Ser, o primeiro de três álbuns a que Karlon prometeu lançar este ano. Tardigrado é o segundo dessa ambiciosa lista de tarefas. Rimas e Batidas by Gonçalo Oliveira

A ideia deste álbum surgiu após ter sido desafiado pelo Pedro Coquenão a participar no EP Mamã Africana. Nessa altura, o Pedro mostrou-me discos que tinham a mesma linguagem, como Marcelo D2, Conjunto Ngonguenha entre outros artistas. Fiquei com vontade de explorar este conceito.

Este álbum foi feito através de várias pesquisas sobre as histórias de Cabo Verde e conversas íntimas que fui tendo ao longo do tempo com pessoas da geração dos meus pais.

O titulo “Passaporti” surgiu de uma memória da minha infância. O que mais ouvia a minha mãe dizer e a comentar com as amigas era “En te ki renouva passaporti” (“eu tenho que renovar o passaporte”)…dai achar que o passaporte era o único elo de ligação entre Portugal e Cabo Verde. 

Para  as imagens do livro do álbum, selecionei algumas fotografias do álbum de fotos de família. 

Este é um álbum que junta o Hip Hop à música tradicional de Cabo Verdem, viajando da morna, com “Foi Sodade” inspirado no tema “Sodade” de Cesária Évora e Bonga, até ao funaná com “Nha Cultura” inspirado no tema “Pó di terra” de João Cirilo.

Passaporti conta com participações de: Chullage, Maria Tavares, Valete, Carlos Martins no Saxofone, Bdjoy na congas, Scratch a cargo do Dj X-Acto, Ary César na Guitarra, Ary@BlastedMechanism nos sintetizadores. A produção de todas as faixas ficou a cargo do Charlie Beats com exceção do tema “Nha rosa” produzido por Igor Santos. Os samples utilizados foram extraídos dos seguintes temas: “Tradição” de Gabriela Mendes, “Mundo malvado” e “ Mi nada un ka ten” de Maria de Barros, “Pó di Terra” de Zé Cirilo e “Lume d’ lenha” de Cordas do Sol. Artwork a cargo de João Maurício.

Espero que este “Passaporti” seja uma ponte de ligação entre gerações.

Karlon, nascido na Pedreira dos Húngaros e pioneiro do rap crioulo, fugiu do bairro onde foi realojado. 

Noites de vigília, sob um febril calor tropical.

Entre as canas de açúcar, um rumor. Karlon não parou de cantar. 

Altas Cidades de Ossadas é um tateio inquisitivo e imaginativo às suas memórias, ao cerco institucional, e às histórias submersas de um tempo sombrio.

COM Karlon, Xama, Maria do Céu Magalhães, Leonor Ferreira ARGUMENTO João Salaviza, Renée Nader Messora, Karlon IMAGEM Vasco Viana SOM Rafael Cardoso PRODUÇÃO Terratreme Filmes | OCT Oficinas de Criação Terratreme PRODUTOR EXECUTIVO Pedro Pinho MONTAGEM DE IMAGEM João Salaviza, Edgar Feldman MONTAGEM DE SOM Rafael Cardoso MISTURA DE SOM Xavier Thieulin COR Andreia Bertini

Close Menu